Nunca tive uma "página inicial" no meu navegador, nunca simpatizei com a idéia. Explico: seja qual for a minha página inicial, com certeza será algo muito interessante - ou seja - algo capaz de prender minha atenção facilmente, uma vez que é o endereço escolhido por mim para ser o ponto de partida de toda e qualquer navegação na internet. Isso significa que a minha página inicial terá sempre o poder de restringir o meu horizonte de navegação, mantendo minha atenção sempre nos mesmos interesses e nos mesmos assuntos.

Se minha página inicial fosse o meu e-mail, por exemplo, acabaria tendo sempre como prioridade ficar lendo e respondendo mensagens... porque meus amigos são importantes e, se eu sei que algum amigo me escreveu, não vou conseguir sossegar enquanto não responder ou, pelo menos, ler. Desnecessário dizer que o mesmo vale pro Orkut ou Twitter.

Se minha página inicial fosse uma canal de notícias, eu teria como prioridade saber tudo o que aconteceu de importante (na opinião do canal e de seus anunciantes) no mundo enquanto fazia outras coisas. Ficaria pulando de notícia em notícia, tentando correlacionar os eventos. No fim, acabaria tendo como prioridade ficar preocupado, nervoso, inquieto e triste. Doido pra comprar um pouquinho que fosse de felicidade e esperança na forma de qualquer bugiganga, de preferência parcelando no crédito. Esse é o objetivo final de qualquer grande veículo de informação.

Se minha página inicial fosse um canal de humor, passaria um tempo enorme - sempre - me perdendo entre piadas boas e ruins (me amarro em todas), e acabaria esquecendo de procurar ler as tais "notícias importantes do mundo", filtrando-as de acordo com a minha própria razão.

O fato é que, fosse qual fosse a minha página inicial, seria um sequestrante poderosíssimo do meu pensamento, dissipando rapidamente - por muitas vezes - idéias fervilhantes que eu trouxe da rua, enquanto pensava no caminho de volta, por exemplo. A minha página inicial seria sempre um sugestionamento inconsciente, criando e fortalecendo tendências no meu pensamento e transformando a infinitude da rede num cercadinho (de cercas cada vez mais altas), que me mantém pensando sempre nas mesmas direções e, pior, achando que aquele ciclo restrito de pensamento é o meu pensamento, e não um sugestionamento externo constante.

Além disso, existiria o problema de eu nem saber distinguir se a minha página inicial é, de fato, tão importante e interessante assim ou se ganhou importância e interesse sólidos simplesmente porque um dia eu caí na besteira de tranformá-la no meu ponto de partida - sempre! - Injetando-a constantemente, a cada nova janela aberta, com doses de importância  que acabam por torna-la automática e artificialmente imprescindível na minha vida.

Por isso eu sempre mantive a minha página inicial do navegador em branco. Por isso, também, batizei este blog de about:blank: aqui eu só escrevo. Qualquer coisa, não importa. Ou importa muito. Depende do momento.
 
"Mas e o Google?", você pode perguntar, "Qual o problema de colocar o google como página inicial? De um jeito ou de outro, quer goste ou não, a gente sempre acaba - ou começa - caindo nele. Por que não?"

Eu respondo: pode ser, é verdade. Mas isso faria cair por terra todo o meu texto e acabaria comprometendo a escolha desse nome para o blog.

E eu sinceramente adorei o nome do blog. =D

Forte abraço. Seja bem-vindo!